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Ouro Preto 30/01/1993

Último destino da excursão, véspera da volta para casa. Todos já estavam bastante cansados, foram quase trinta dias de viagem e dezesseis cidades. Imagine descer do ônibus, tirar malas (cada vez mais pesadas, por culpa das bugingangas que comprei), check-in, check-out nos hotéis, ufa, é dose para leão.

Foto Wikipédia
Mas enfim a última cidade, Ouro Preto. A primeira cidade brasileira delcarada pela Organização das Nações Unidas para Educação a Ciência e a Cultura, Patrimônio Histórico da Humanidade, no ano de 1980.
Ladeira vai, ladeira vem, Ouro Preto tem muitas. Além disto a Igreja de São Francisco de Assis vale a pena ser conhecida, em 2009 foi considerada como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. 
Eu já estava bastante cansado e não me interessei em seguir o grupo. Preferi dar voltas pela cidada.




Sandro e eu em Catas Altas
Uma das coisas legais, e também uma das últimas, foi passar pela Estrada Real e chegar na Cidade de Catas Altas da Noruega. Cidade pequena com pouco mais de três mil habitantes e que fica ao pé do Parque do Caraça. Possui trilhas, passeios e uma bela cachoeira. A única foto que tenho da cidade é da sua Capela, pequenina mas bonitinha. Mais informações sobre essa pequena mas movimentada cidade AQUI.

Enfim a volta (e que volta). O retorno para casa significava uma viagem de mais de 2.200 kilômetros ou um dia e meio de ônibus.
Mas, depois de muitas paradas para abastecimento, alimentação e etc, chegamos  na Praça Cívica, por volta das 16h. O reencontro com a família foi ótimo, pai e mãe esperando ansiosos e eu no auge dos meus 15 anos carregado de novas experiências.

Belo Horizonte - 29/01/1993

A passagem por Belo Horizonte e logo em seguida Ouro Preto, foi uma das coisas mais rápidas de toda a viagem. A essa altura já estava com quase 30 dias de viagem e este era o trecho final da excursão, depois destas duas últimas cidades voltaríamos para Natal.
Em Belo Horizonte só visitei (ou lembro) de dois lugares: A Igreja de São Francisco de Assis e a Ladeira do Amendoim.
A Igreja de São Francisco de Assis foi inaugurada em 1943 com projeto arquitetônico por Oscar Niemeyer e faz parte do Conjunto Arquitetônico da Pampulha, sendo o último prédio a ser inaugurado. Prédio este que é considerado a obra prima do conjunto. Com o abandono da laje sob pilotis, Niemeyer fez novos experimentos de concreto armado e criou uma abóbada parabólica. Além disto existe um painel de Candido Portinari que mostra um cachorro representando um lobo junto a São Francisco, e por culpa disto permaneceu por catorze anos proibida a cultos. Seu interior abriga a Via Sacra constituida por catorze painéis de Portinari, considerada uma de suas obras mais significativas. A igrejinha da Pampulha é um dos mais conhecidos cartões postais de BH e ponto de visita obrigatório aos turistas. 

Foto retirada da internet
O outro local visitado foi a Ladeira do Amendoim. Ela fica na Rua do Amendoim no Bairro das Mangabeiras. E daí? O que essa ladeira tem demais? Vou contar o que aconteceu comigo: O ônibus foi estacionado na base da ladeira e o motorista solicitou que todos descessem. Após todos saírem do ônibus o motorista desligou o motor, deixou em ponto morto, soltou o freio de mão e também desceu. O que aconteceu? O ônibus começou a subir a ladeira sozinho. Bom, todos ficaram espantados e começaram a surgir as mais diversas explicações e hipóteses: era uma área magnetizada que "puxava" os carros; era uma área visitada por ovin's; não era uma subida e sim uma descida; era a mão de Deus puxando... Bom, eu estive lá e vi o ônibus subindo, explico: o relevo no local nos prega uma peça como ilusão de ótica. Na ladeira, temos certeza que é uma subida, mas depois de estudos (nem precisava tanto) estão tentando provar que é uma descida. (Veja matéria da SuperInteressante). Achei alguns vídeos no YouTube, como esse AQUI, assiste a tire as suas conclusões.
Depois dessa visita sobrenatural segui viagem para Ouro Preto.

São Paulo - 27/01/1993

Depois de sair de Foz de Iguaçu e pegar em torno de 1.000km de estrada [cerca de 24h de ônibus], a chegada em São Paulo foi na manhã do dia 27 de janeiro de 1993. Era a primeira vez que eu visitava a maior cidade do país e estava muito empolgado.
Logo me impressionou a entrada da cidade, já tinha passado mais de 02 horas e desde que "chegamos" e continuávamos a entrar na cidade.
Museu do Ipiranga
O Hotel era o Regência, localizado na Avenida São João, 1523, Centro. Ficava a apenas 600 metros da Avenida Ipiranga [famosa esquina da música de Caetano] e a 3km da Avenida Paulista. Hotel simples mas tinha o básico para o conforto. No banheiro o chuveiro ficava dentro da banheira e foi a primeira vez que vi isso. Não achei nada na internet sobre o hotel, talvez nem exista mais.
No dia da chegada tive a tarde livre e decidi procurar pelo Banespa e por lojas de instrumentos musicais. Estava precisando de dinheiro e de cumprir um dos meus objetivos, comprar um violão.
O Banespa não localizei mas a loja de instrumentos musicais sim. Comprei meu primeiro violão, Giannini Série Estudo nº 18 náilon. Diferente de Natal, em São Paulo pude experimentar o violão, toca-lo, desafinar, ver, pegar, tudo que é proibido por aqui. Na maioria das lojas de instrumentos musicais de Natal, observa-se a plaquinha "por favor não tocar". Como você vai comprar um instrumento se não pode pegar e tocar? Pois é, estamos em 2011 e ainda é assim por aqui. Enfim, comprei-o.

Museu do Ipiranga
No dia seguinte fiz a visita ao Museu do Ipiranga, atualmente conhecido como Museu Paulista da USP. Foi inaugurado em 1895. A visita foi muito interessante, a história do Brasil está bem presente com mobílias, carruagens, pinturas, roupas, joias da época da colonização e da monarquia em mais de 125.000 objetos. Vale a pena visitar, veja a sua localização no Google Maps. No Site, você tem as informações sobre horário de funcionamento e valores. No primeiro domingo de cada mês a entrada é gratuita.
Zoológico de São Paulo
Além do Museu, no mesmo dia visitei o Zoológico de São Paulo. A variedade de espécies é muito grande e não deixa a desejar a outros Zoos como o de Buenos Aires, por exemplo.

No dia seguinte, fiz o velho city-tour de ônibus. Passamos por vários pontos interessantes de São Paulo [que por sinal não lembro agora... afinal já faz 18 anos].

Eldorado Shopping
No último dia em Sampa, visitei o Eldorado Shopping, estabelecido num terreno de 74 mil m² era um dos maiores naquela época. Para efeito de comparação o terreno do Norte Shopping em Natal tem 65 mil m². Passei a tarde passeando no Shopping esperando chegar a hora da saída para Belo Horizonte, que estava marcada para as 20h.

Naquela época a cidade me impressionou pela quantidade de concreto. Não tive oportunidade de usar metro e conhecer outras pontos da cidade, coisa que realizei em outras viagens .

Foz do Iguaçu - 23/01/1993

Ciudad del Este
Nas primeiras horas do dia 23 o ônibus partiu para Foz de Iguaçu. Entretanto faríamos uma parada estratégica [de um dia inteiro] na Ciudad del Este para compras. A Ciudad del Este fica na fronteira do Paraguai com o Brasil, ligada pela Ponte da Amizade [ou Puente de la Amistad] que fica sob o Rio Paraná. A ponte tem 550 metros de comprimento e na época de sua construção em 1962, foi recorde de maior vão livre em pontes de concreto [290 metros].

Ao chegar na cidade, o ônibus parou no centro e nos deixou para um dia inteiro de compras, me senti o próprio muambeiro. Eu não tinha a intenção de comprar nada para revender [claro, não sou sacoleiro] mas algumas pessoas estavam dispostas a gastar o que tinham e o que não tinham no dito "paraguai" e essa era a oportunidade. 

Porto Alegre - RS 15/01/1993

Largo Edgar Koetz
Por incrível que pareça, Porto Alegre para mim foi uma coisa muito rápida. Viagem de apenas um dia e uma noite, passou rápido. Eu já estava bastante cansado e apesar do pessoal ter seguido no ônibus para fazer o city-tour fiquei no hotel o dia inteiro descansando. 

À noite, decidi dar uma passeada pela rua, eram umas oito da noite e a coisa não foi muito agradável. O Hotel São Luis, ficava na Avenida dos Farrapos, 45 no Centro da cidade. Parece que o centro de toda cidade é sinistro, esse não deixava de ser. O hotel ficava perto de uma esquina e próximo a uns viadutos, lembro, ponto de drogas e prostituição. O Hotel era legal, umas 2 estrelas, mas o local não era bom, então o meu passeio pela rua durou uns 10 minutos, voltei um pouco assustado.
Viaduto da Conceição
Não lembro de nenhum ponto importante de Porto Alegre. Até aquele momento foi a maior cidade que passei e não conheci. Quem sabe em uma próxima oportunidade.


Já no outro dia, parti em direção a Montevidéu, Uruguai.



UPDATE: Umas das poucas coisas que lembro é de feito em Porto Alegre, foi ter almoçado [ou jantado] no Galpão Creolo. Uma dessas churrascarias com tudo muito farto, estilo Sal e Brasa, que naquela época não existia em Natal.

Canela - RS 14/01/1993

O roteiro da excursão nos indicava que a próxima parada seria Gramado, mas por algum problema no Hotel [talvez falta de vagas ou de planejamento] fomos para a cidade vizinha a cerca de 8km de distancia, a também famosa Canela.

Um dos pontos turísticos mais famosos é a Catedral Nossa Senhora de Lourdes, conhecida por Catedral de Pedra, que fica no centro da cidade. 
Apesar de seu estilo gótico inglês foi construída em 1953 e tem 65 metros de altura, além de um carrilhão de 12 sinos de bronze. São muitos vitrais e pinturas sacras. Infelizmente não pude entrar no dia, pois estava acontecendo alguma reforma ou limpeza.

Outro ponto imperdível de Canela é o Parque do Caracol. No parque está a Cascata do Caracol com seus 130 metros de queda livre. Também a escada ecológica com seus 927 degraus [bem ecológica...] e o mirante  que fica a 150 metros da base da cascata, uma vista de rara beleza.

Fiquei hospedado no Hotel Vila Verde, que fica na Rua Boa Ventura Garcia, 992. Para ver no Google Maps clique aqui. O hotel era muito agradável e foi a primeira vez que fiquei hospedado em um chalé. Algumas coisas interessantes aconteceram, por exemplo, como estava frio tive que "acender" o aquecedor e o chuveiro ambos à gás, fica sempre a impressão que tem gás vazando no ambiente e a qualquer momento tudo por ir pelos ares.

Durante a estadia, visitei um Café Colonial, onde comemos e bebemos muito, alguns amigos até passaram da conta. Era muito vinho e muita comida, além de danças típicas, uma beleza. Ainda lembro de descer em um porão, um lugar escuro e sombrio que funcionava como adega. Lá comprei uma garrafa de vinho para meu pai, com uma etiqueta em couro que foi gravada na hora com o nome dele. No outro dia, dei uma volta pela cidade por conta própria, sempre com o endereço do hotel no bolso [vale lembrar que eu era menor de idade], e foi muito agradável, a cidade é muito aconchegante e estava frio.

Passamos por Gramado também, foi interessante, mas naquela época não foi nada que me chamou a atenção.

Pois é, a viagem continua, agora rumo à Porto Alegre, cidade de uma das bandas que eu mais curtia naquela época, Engenheiros do Hawaii.

Itajaí - SC 13/01/1993

Saímos de Blumenau no dia 13 pela manhã em direção à Itajaí, que é outra cidade do Vale Europeu no estado de Santa Catarina. A chegada foi por volta de meio-dia e o objetivo principal de visitar essa cidade foi para conhecer o tão falado [principalmente no programa dos trapalhões] Beto Carrero World. O parque temático tinha sido inaugurado a apenas dois anos e em sua maioria seus brinquedos não funcionavam ou não estavam montados. Assisti uma apresentação estilo faroeste num circo enorme e entrei na casa/jaula de "Monga - a mulher macaco". foi uma tarde decepcionante, faltava muita coisa para o Beto Carreiro se tornar um parque de verdade.

Em Itajaí também conhecemos o Balneário de Camboriú, uma cidade com apenas 100.000 habitantes mas com uma densidade de prédios das mais altas que chegam a comportar quase 1.000.000 de pessoas. É um dos municípios com maior qualidade de vida, ficando atrás apenas de Florianópolis. Na cidade não fiquei em Hotel, à noite partimos para o Rio Grande do Sul, para nos hospedarmos na cidade de Canela.

Blumenau - SC 12/01/1993

Blumenau é uma cidade do estado de Santa Catarina que fica no Vale do Itajaí. A cidade possui uma agenda  baseada nas festas dos imigrantes europeus, principalmente alemães. A sua mais famosa festa é a Oktoberfest, a segunda maior festa sobre cerveja no mundo que acontece durante dezoito dias do mês de outubro. Blumenau tem destaque no setor têxtil e também é polo na industria tecnológica.
Bom, cheguei na cidade no dia 12 e depois do city-tour e almoço tirei a tarde para dormir. Lembro que a cidade tem fortes influências dos alemães, a arquitetura de suas casas e prédios não nos deixa dúvidas. Infelizmente não deu para conhecer nada na cidade pois o tempo foi curto e no outro dia partiríamos para Beto Carreiro.

Curitiba - PR 11/01/1993

Passeio de Trem pela Serra do Mar
A chegada ao Albergue da Juventude de Curitiba foi ainda no dia 10/01 por volta das 22hs. Esse Albergue está localizado na Rua Padre Agostinho, 645, Bairro de Mercês e fica a 5,7 km do Jardim Botânico, 2,6 km do  Bosque Alemão, 3 km do Bosque Papa João Paulo II e a apenas 2,1 km do Parque Barigui. Como a excursão era de ônibus não deu para visitar esses parques. Em 2009 fiz uma segunda visita à cidade e foi bastante proveitosa, contarei tudo aqui no blog, mas estou no ano de 1993 e faltam muitas viagens para chegar lá.

Pose de galã das 20h
Continuando, no dia 11/01 saímos bem cedo para o passeio de trem pela Serra do Mar de Curitiba até a cidade de Morretes, que fica a 74 km de distância, foi um bate e volta pela utilizando os trens da Serra Verde Express. O que vale nessa viagem é a paisagem da Serra do Mar e a sua vegetação ainda preservada, além claro do passeio de trem à moda antiga. Morretes é uma cidade famosa pelos seus restaurantes que vendem um prato típico da região chamado de "Barreado" [não provei]. Possui muitos casarões e assim como Curitiba suas ruas são impecavelmente limpas.
Relógio das Flores

Voltamos às 13hs para Curitiba para fazer aquele city-tour dentro do ônibus com apenas duas paradas. A primeira foi no Relógio das Flores que fica no setor histórico da cidade mais precisamente da Praça Garibaldi. O relógio tem oito metros de diâmetro e foi um presente de joalheiros à cidade em 1972. Depois das fotos o ônibus e toda a tropa partiu para a Ópera de Arame e a Pedreira Paulo Leminsk, passando em frente ao Jardim Botânico.

A Opera de Arame é um teatro totalmente construído com tubos de aço e estruturas metálicas coberto com placas de poli-carbonato transparente. A curiosidade é que foi montada em apenas 75 dias e inaugurada em 1992, ou seja, em 1993 era o que havia de mais moderno na cidade, por isso o motivo da visita.
Ópera de Arame
Ao lado da Ópera está a Pedreira Paulo Leminsk que é outra casa de espetáculos, sendo esta ao ar livre. Seus números impressionam: é cercado por padedões de rochas com 30 metros de altura, espaço de 103 mil m², capacidade para pelo menos 30 mil pessoas e o seu palco com 490 m² já recebeu gigantes da música nacional e internacional, exemplos: Paul McCartney, David Bowie, Iron Maiden, AC/DC, Ramones, Chico Buarque, entre outros. A Pedreira era ocupada por uma mineradora nos anos 40 e exceto pelo seu nome e uma caricatura desenhada na parede, são as únicas referências a um dos maiores escritores brasileiros do século passado.
Ópera de Arame
Ainda na Pedreira temos a Universidade Livre do Meio Ambiente [Unilivre], inaugurada em 1991 com a presença do oceanógrafo Jacques Cousteau e obviamente, tem o objetivo de efetuar ações em defesa do Meio Ambiente.

Ainda no final do dia depois de chegar no hotel, saí para dar uma volta na cidade a pé. Minhas condições de aventureiro eram poucas e desfavoráveis: tinha 15 anos, pouco dinheiro, estava numa cidade estranha, não existia celular e os guias sempre falavam que tivéssemos cuidado com assaltos e coisas do tipo. Nessa volta à pé, por ser verão e já serem 7:30 da noite, ainda estava claro e eu me impressionei com a limpeza da cidade. Lembro de não ter visto um papel ou qualquer outra sujeira no chão.
Curitiba é uma cidade muito limpa e civilizada e tinha o transporte público bem desenvolvido para a época, com suas canaletas exclusivas para ônibus bi-articulados que foram exemplo para cidades como Los Angeles e Nova York, pena que foi apenas um dia. Voltei ao hotel para no dia seguinte seguirmos para Blumenau.

Campos do Jordão SP - 10/01/1993

A passagem pela bela cidade turística de Campos de Jordão foi realmente uma "passagem". Após sair do Rio de Janeiro entramos na cidade às 6hs da manhã para fazer pelo menos três dos muitos passeios obrigatórios: Subir de teleférico o Morro do Elefante, conhecer a Fonte da Amizade e o Palácio Boa Vista para continuar a viagem para Curitiba.

A primeira parada foi no Morro do Elefante, que tem esse nome por que visto de longe parece com a "corcunda" do próprio. Com 1800 metros de altura acima do nível do mar do seu belvedere temos uma vista muito bonita da cidade. No morro encontra-se estacionada a primeira locomotiva automotriz que ligou as cidade de Pindamonhangaga e Campos do Jordão. A maneira mais interessante de subir é utilizando o Teleférico.


Inaugurado em 1972 foi o primeiro do gênero no Brasil. As cadeiras de ferro são individuais e como todo teleférico não para de andar, você tem que sentar com  ele em movimento, coisa que descobri neste dia. A medida que ia subindo a temperatura ia descendo. Lá no alto estava muito muito frio, cerca de 4ºC e apesar de estar vestindo calça jeans, duas camisas e um casaco de algodão, de nada adiantou, pois congelando literalmente com os lábios rachandos. Ao descer entrei numa lojinha dessas para turistas despreparados como eu, e comprei um casaco de lã .


A Fonte da Amizade, não impressiona muito pois é uma instalação simples e nada mais é do que uma fonte de água mineral. Reza a lenda que suas águas tem poderes de rejuvenescer quem prova dela. Passeando pela cidade fomos ao Palácio Boa Vista que era a casa de inverno do Governador de São Paulo e  também é um museu com mais de 3000 peças de mobiliário, porcelanas, peças religiosas, pratarias e quadros do Sec. XVII e XVIII.

Foi tudo muito rápido e por volta das 14hs seguimos viagem para Curitiba.




Rio de Janeiro - RJ 07/01/1993

O ônibus saiu de Salvador às 8h da manhã e chegamos ao Rio em torno de 15h. Durante a viagem, estava chovendo muito forte e começou a fazer um barulho muito forte no teto do ônibus e quando olhei era uma chuva de granizo logo na entrada do estado do RJ, a primeira que presenciei, abri as janelas para pegar o gelo com as mãos, foi legal. 

O hotel que fiquei hospedado foi o Jucati Residêncial, localizado na Rua Tenente Marones de Gusmão, 85 - Copacabana. Depois da chegada no Hotel, tivemos a tarde de descanso livre. Durante esta tarde livre, dei uma descida para a Praia, estava hospedado bem próximo da beira-mar de Copacabana. Nesta descida aconteceu algo que eu também nunca tinha visto: um pivete pegou uma pedra e jogou-a no vidro de um carro que estava estacionado, para roubar alguns pertences que estavam no bando do passageiro. Bom, fiz de conta que nada estava acontecendo e segui para a praia. À noite fomos ao Scala para assistir uma daquelas apresentações típicas do rio, com muito samba e mulatas, interessante, feito para quem quer ter o gostinho do carnaval do mais de perto.
No dia seguinte (08/01/1993) fui ao Pão-de-açucar, Corcovado, Bondinho, Cristo Redentor. À época a minha máquina de fotografia era analógica e estava armada com filme de 36 poses. Durante a subida no Bondinho, Pão-de-Açucar, Corcovado e chegada ao Cristo Redentor gastei um rolo inteiro de filme. O Rio de Janeiro visto do alto é perfeito. 



No dia 09/01/1993 logo pela manhã fiz a travessia da Baia da Guanabara por barca para Niterói. A travessia é interessante para termos uma idéia de quão bonito é essa baia, cercada por montanhas, inclusive o Pico do Dedo de Deus. A volta foi no ônibus da excursão pela Ponte Presidente Costa e Silva ou como é mais conhecida Ponte Rio-Niterói que tem 13,29 Km de comprimento e 72 metros em seu ponto mais alto. Nesse mesmo dia fui ao Jardim Botânico. O Jardim abriga monumentos de valor histórico, artístico e arqueológico além da mais completa biblioteca de botânica do país com mais de 32 mil volumes.

Durante a visita ao Jardim Botânico começou uma chuva torrencial, com raios, trovões e tudo mais que uma tempestade tropical deve ter. Nesse momento eu estava perdido nos mais de 50 hectares do Jardim e fiquei  com mais uns amigos abrigados embaixo de uma árvore daquelas que 10 pessoas não conseguem abraçar. Depois de quase uma hora de chuva torrencial o sol saiu para nossa felicidade. O resto da visita foi com as roupas totalmente molhadas.

Final do dia a vista, hora de arrumar as malas e partir para um barzinho na orla de Copacabana para às 00:00 sairmos para Campos do Jordão.



Locais que visitei:

Pão-de-açúcar: O complexo do Pão-de-açúcar localizado no bairro da Urca é composto pelo Morro do Pão de Açúcar, Morro da Urca e Morro da Babilônia é juntamente com a estátua do Cristo Redentor o maior cartão postal do Rio de Janeiro.
Bondinho do Pão de Açúcar: O teleférico tem duas rotas: da base do Morro da Babilônia ao Morro da Urca (600 metros) e outra do Morro da Urca para o Pico do Pão de Açúcar (850 metros), a capacidade é de 65 passageiros por viagem. Inaugurado em 1912, estimasse que já transportou 38 milhões de pessoas. É ponto obrigatório para a sua visita ao Rio de Janeiro.
Boate do Scala: Fica no bairro do Leblon e sempre apresenta shows típicos.
Jardim Botânico: Tem 54 hectares distribuídos ao ar livre e estufas. Tem uma central de visitantes para orientação da visita com mapas e exposições de arte. A Aléia Barbosa Rodrigues é a principal entrada do Jardim Botânico, ladeada por imponentes Palmeiras Imperiais.

Salvador - BA 05/01/1993



Chegou o dia da saída, precisamente 04 de janeiro de 1993. Na foto ao lado está a bagagem que levei para essa excursão de 30 dias pelo Brasil e mais três países da América do Sul. Às 18h30 com atraso aceitável de uma hora e meia partimos para o primeiro destino, a cidade de Salvador distante 1126km de Natal [fonte: dnit], seria uma longa viagem.

A primeira noite de ônibus foi muito difícil, não consegui pregar os olhos, não estava acostumado com esse balanço, lembro da passagem por Recife por volta das 23hs e outras cidades. A primeira parada técnica [troca de motorista, banheiro, etc] foi na metade da viagem em um posto de gasolina na cidade de Maceió, por volta das 3h da manhã e com 572km de viagem.


Chegando em Salvador, nos hospedamos no Albergue da Juventude que ficava na Rua Visconde de Itaborahy 514, Amaralina. Atualmente o endereço do Albergue está nesse link: Google Maps.

A visita na cidade foi de 2 dias e além do city-tour que aconteceu no nosso próprio ônibus com um guia nativo, visitamos os principais pontos da cidade: Pelourinho, Igreja São Francisco [que é coberta de ouro], Elevador Lacerda, Farol da Barra, etc. No pelourinho aproveitei para comer um acarajé [quente] com um coca-cola, servido por uma legítima baiana e claro que queimei a boca.


Descer o Elevador Lacerda não dá nenhum barato [acredito que em 1889 quando foi inaugurado, usar o elevador devia ser como andar de montanha russa], na realidade o que encontrei na Cidade Baixa foi um grande fedor de peixe podre, típico do nosso "Canto do Mangue". A cidade não me atraiu em nada, achei-a suja e insegura. Lembro da Guia dizendo que colocasse a carteira no bolso da frente, que tivesse cuidado com a máquina fotográfica, etc. A cidade tem o seu lado bonito, a vista da Bahia de Todos os Santos é muito bonita, entre outras coisas.



Alguns dos locais que visitei:

-Elevador Lacerda: Um dos principais pontos turísticos e cartão postal da cidade, fica na Praça Cayru no bairro do Comércio próximo ao Mercado Modelo, e liga a Cidade Baixa à Cidade Alta. Do alto de suas torres, vemos a Baía de Todos os Santos, o Mercado Modelo.
Tem 72 metros de altura e duas torres: uma que sai da rocha e perfura a Ladeira da Montanha, equilibrando as cabines, e outra, mais visível, que se articula à primeira torre, descendo até ao nível da Cidade Baixa. O elevador mais famoso da Bahia chega a transportar 900 mil passageiros por mês ou, em média, 28 mil pessoas por dia ao custo de quinze centavos de real por passageiro, num percurso de trinta segundos de duração.

- Pelourinho: Centro histórico da cidade de Salvador, no estado da Bahia, classificado como Patrimônio Mundial pela UNESCO. O pelourinho da cidade esteve localizado em vários lugares, até sua remoção definitiva no século XIX. O último local de implantação do pelourinho foi um largo, ainda conhecido como Largo do Pelô. Fica no Pelourinho a Casa de Jorge Amado e o IPAC [Instituto do Patrimônio Artistico e Cultural].

- Igreja São Francisco: Foram classificadas, em 2009, como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo.

- Farol da Barra: O Farol da Barra localiza-se na antiga ponta do Padrão, atual Ponta de Santo Antônio. É uma torre com 22 metros de altura, pintada com bandas preta e brancas. O farol está construído no interior do Forte de Santo Antônio da Barra.

Primeiras viagens para fora do estado

Nas minhas lembranças, a minha primeira viagem para fora do estado foi para Maceió, e também foi minha primeira viagem de avião. Não tenho muitas lembranças pois eu era muito pequeno, acredito que tinha uns 8 anos. Dessa viagem as poucas recordações são: Afanar "honestamente" o travesseiro que era fornecido no vôo; De meu pai alugar um Fiat 147 para nos levar ao Hotel Jatiúca onde ficamos hospedados e poucas outras coisas;

Outra viagem que fizemos quando criança foi para João Pessoa. Ficamos no hotel quase beira mar, foi interessante, meu pai gostava de ficar na piscina tomando cerveja, enquanto eu e meu irmão nos esbaldávamos na piscina. Foi muito bom. Uma certa hora vi um zum-zum-zum de minha mãe com o meu pai e eu curioso que sempre fui, perguntei o que era. Não consegui muitas informações, mas deu para notar que um famoso religioso de nossa cidade estava hospedado nesses mesmo hotel e estava na mesma piscina com a sua parceira. Isso mesmo, parceira. Lembro de meus pais ficarem envergonhados pelo pobre padre...


Primeiras Viagens

Quando era criança, meus pais costumavam fazer muitas viagens para o interior do estado. Visitávamos cidades como Caicó, Assu, Martins, entre outras. Essas viagens eram aquelas em que acordávamos [eu e meu irmão éramos acordados] às 4:00 da manhã para pegar a estrada e íamos dormindo no banco de trás do carro [naquela época não "precisávamos" usar cinto de segurança] e assim visitávamos os parentes do interior.

Eram viagens boas, geralmente ficávamos em um dos poucos hotéis disponíveis pelas cidades. Um fato engraçado foi uma das vezes que fomos a Assu. Minha mãe fez a propaganda que no hotel tinha piscina [fantástico para uma criança], lá fomos nós para Assu, chegando lá no hotel, enquanto meu pai fazia o check-in corremos para a piscina; decepção! A piscina estava verde de lodo e para completar alguns sapos faziam o coro característico...

Foram muitas viagens de carro com meu avô e meu tio também, mas cada um no seu carro. Meu avô tinha um corcel II e gostava muito de correr e o meu tio tinha um chevette e andava muito devagar, muito mesmo. Então nessas viagens de carro pelo interior meu pai geralmente ia na frente, segurando o meu avô e o meu tio vinha geralmente lá trás. Na viagem para Martins, meu avô vinha "empurrando" o carro do meu pai e perdemos de vista o chevette branco do meu tio, resultado: paramos no acostamento. Depois de uns 20 minutos de espera e preocupação lá vem o carro branco, todos entram nos seus carros e seguem viagem. De repente o carro branco encosta no meu avô, passa dele, passa do meu pai, e descobrimos: não era o meu tio. Mais uma meia hora parado, até outro carro branco aparecer, finalmente era ele, meu tio "campeão de F1".

Essas foram as minhas primeiras viagens, de carro no interior do Rio Grande do Norte pelas cidades de Assu, Caicó, Martins, Patu e Mossoró.